Carl Marx

A Luta de Classes

#CURIOSIDADES

* Dialética da Negatividade de Hegel

Hegel (1770-1830), defende a mediação pela negatividade como estrutura fundamental da realidade. Hegel é o filósofo da mediação. O conjunto de seus esforços destina-se à interpretação das relações que permeiam o real. Para revelar o sentido último seja do Direito, da Religião ou da História, a chave hermenêutica hegeliana encontra-se na busca de estruturas relacionais. Ainda hoje, o pensamento hegeliano pode oferecer-nos uma fecunda alternativa às desintegradoras interpretações de mundo em voga. Em Hegel, não apenas a relação pertence à coisa, mas também a coisa pertence à relação, e de modo necessário, quer numa, quer noutra direção. Assim, a perspectiva hegeliana contrapõe-se frontalmente ao relativismo, que não reconhece senão a imediatidade das relações, ao desautorizar suas mediações como mero conglomerado de imediatos justapostos violenta e ocasionalmente, sem autêntica união, conciliação e integração. Hegel rompe com a modernidade, já prevendo seus efeitos desvastadores: a ideia de verdade sem um fundo, sem horizonte e ahistórica impossibilitaria a própria noção de verdade. Para ele, a verdade não se revela jamais na imediatidade. O sentido advém de um longo processo de mediação, no qual se deve estabelecer um confronto direto com a negatividade: primeiro, a oposição à sua própria negação, em seguida, a reconciliação pela negação da negação. A negatividade está implicada no próprio caráter relacional: num primeiro momento, relacionar-se com algo significa estar diante dele, contraposto a ele, enquanto diferente. A mediação, enquanto dinâmica relacional da realidade marcada pela negatividade, recebe de Hegel o nome de Dialética. Entretanto, a necessária negatividade da mediação é vista por Hegel como libertadora. A passagem do imediato ao mediado configura, na sua concepção, um processo de aprofundamento e legítima consolidação da coisa, pelo qual ela obtém de seu próprio desenvolvimento uma espécie de auto-fundamentação. Pela mediação, toda coisa cumpre espontaneamente o seu destino: libertar-se progressivamente de seus limites e contradições em direção à reconciliação com o Todo, ou Absoluto. 

Fonte: CABRERA, Thiago (2012). A Mediação Histórica e a Filosofia do Direito em Hegel: Entre Liberdade e Necessidade. UF-RJ.

#CURIOSIDADES

**Materialismo Mecanicista de Feuerbach

Ludwig Feurbach (1804-1872)  exerceu forte influência sobre o pensar de Karl Marx. Acredita-se que este herdou daquele outro o sentido do materialismo. Feuerbach foi um contestador do cristianismo e o fundamentador do materia- lismo filosófico, sofreu uma influência casual de Hegel, em sua juventude e, em seguida foi um dos mais críticos pensadores do sistema hegeliano, sofreu também influência, no final de sua obra, pelo também filósofo alemão Arthur Schopenhauer e finalmente exercendo uma influência no pensador cristão dinamarquês Søren Kierkegaard (Cf. REDYSON, 2007, p. 17-18), que deseja fazer uma reintronização do cristianismo na cristandade. Marx é o único dos jovens hegelianos que faz referência a Feuerbach quando se trata do materialismo para manter uma relação crítica e estruturada do pensamento hege- liano. A extrema simpatia com que Feuerbach é tratado nos “Manuscritos econômicos-filosóficos” e em seguida na “A Sagrada Família” expressa o reconhecimento que Marx tinha de Feuerbach, que pela primeira vez, insistiu na necessidade de se fazer uma inversão materialista da filosofia de Hegel. Marx se apropria dos aforismos de Feuerbach com uma certa liberdade, atribuindo-lhe outras conotações que não eram as expressas por Feuerbach conferindo-lhe uma entoação fora do ideário de Feuerbach. Portanto, eis o valor de Feuerbach: como transição de um materialismo mecânico para um materialismo prático. Compreender Feuerbach é compreender o materialismo numa fase onde se combatia tanto a especulação filosófica, quanto o materialismo proveniente da tradição do Iluminismo. Em Feuerbach o materialismo tem seu fundamento no homem, é um materialismo que gira em torno do humanismo. O erro do antigo materialismo foi conceber o homem como indivíduo passivo, modelado unicamente do exterior. Era, assim, um materialismo mecanicista que reduzia o homem às circunstâncias; neste materialismo, a presença do mundo esmagava o homem nas suas determinações: tínhamos o imperativo das circunstâncias. É contra esse modelo (de materialismo) que Feuerbach se posiciona, ou como o próprio Marx declara: diante dos materialistas “puros”, Feuerbach tem a grande vantagem de se dar conta que o homem também é um “objeto sensível”. Marx, contudo, critica a postura contemplativa de Feuerbach, tal como havia criticado em Hegel. 

Fonte: REDYSON, Deyve. Ludwig Feuerbach e o jovem Marx: a religião e o materialismo antropológico dialético. Argumentos, Revista de Filosofia.

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